domingo, 2 de maio de 2010

Ciência, ética e escolhas





Na nossa profissão, devemos seguir uma regra básica: "Nunca minta"



Na semana passada, tive o prazer de ciceronear a escritora e filósofa Rebecca Newberger Goldstein, que veio à Dartmouth dar uma palestra sobre seu último livro, o romance "36 Argumentos para a Existência de Deus, Uma Obra de Ficção".
Goldstein é famosa pela sua habilidade de tratar de assuntos cabeludos de filosofia e ciência dentro da narrativa ficcional de um romance.

O livro é excepcional em vários níveis. Seu estilo é brilhante e extremamente engraçado, uma descrição contagiante e sincera do mundo acadêmico, da busca pela glória, da inevitável inveja profissional, da competição entre as escolas e da vaidade intelectual que tanto colore as discussões em tópicos que vão desde a mitologia grega à existência do Multiverso (ou seja, de infinitos universos).

Como o título informa, o livro trata também da questão da existência de Deus. Mas, para nós aqui nesta coluna, ao menos no contexto do tema de hoje, que é a ética, o livro é principalmente sobre escolhas.

Somos produto das escolhas que fazemos ao longo da vida. É bem verdade que, às vezes, as escolhas são feitas à nossa revelia. Por exemplo, quando falha a saúde, ou devido a pressões econômicas.

Por falta de emprego, um pacifista com um doutorado em física pode se ver forçado a trabalhar na indústria armamentista. Por outro lado, pode fazê-lo por opção, por ser um patriota.

Como Goldstein sugeriu, temos um cerne pessoal (estou criando esse termo) que funciona de forma bem específica.

Podemos até deduzir as posições que um conservador ou um liberal tomarão numa variedade de questões, desde a liberação da maconha até a regulação das práticas do mercado de capitais. A correlação das escolhas é bem forte, produto desse cerne pessoal, que "guia" nossas decisões.

Será que a ética é parte desse cerne pessoal? Especulo que sim. Algumas pessoas têm padrões éticos mais elevados do que outras. Não há dúvida de que esses padrões podem ser influenciados por eventos na vida, pela educação, por relações etc. Mas alguns casos são mais flexíveis do que outros.

E os cientistas? São menos dados a cometer fraudes do que outros profissionais? Na nossa profissão, devemos obedecer a uma regra ética básica: "Nunca minta".
De fato, mentir em ciência é uma péssima ideia. Mais cedo ou mais tarde, a comunidade exporá a sua fraude e sua carreira estará arruinada. É bem simples, na verdade: a natureza não tolera trapaças.

Quem lembra, por exemplo, da história da fusão a frio? (Veja pt.wikipedia.org/wiki/Fusao-a-frio) Inocentemente, gostaria de acreditar que essa regra do não mentir deveria valer para todas as profissões.

No entanto, é o contexto que determina a aplicação de princípios éticos. Mesmo que você se considere um indivíduo extremamente ético, pode sofrer terríveis pressões para contrariar suas próprias regras.

É fácil pensar em exemplos, desde os mais dramáticos (os alemães que "tinham" de se juntar aos nazistas) aos mais amenos (o estudante que cola na prova do vestibular). A moralidade de um pessoa pode ser medida pela resistência que oferece a essas pressões, permanecendo fiel aos seus princípios éticos. Trapacear é construir a sua própria prisão.

Se ser livre é poder escolher ao que se prender, gostaria de acreditar que, quanto mais seguimos princípios morais elevados, mais livres somos.

11 comentários:

  1. PENSO QUE O QUE É AFIRMADO:
    "De fato, mentir em ciência é uma péssima ideia. Mais cedo ou mais tarde, a comunidade exporá a sua fraude e sua carreira estará arruinada.É bem simples, na verdade: a natureza não tolera trapaças."

    DEVERIA SER MELHOR DESCRI|TO A PARTIR DE DUAS AFIRMAÇÔES:

    1)"De fato, mentir em ciência é uma péssima ideia. Mais cedo ou mais tarde, a comunidade exporá a sua fraude e sua carreira estará arruinada."
    E
    2)"É bem simples, na verdade: a natureza não tolera trapaças."

    POIS A PRIMEIRA NÃO CONTEMPLA OS VÁRIOS TIPOS DE MENTIRAS QUE SÃO REALIZADAS EM NOME DA CIÊNCIA...E TAMBÉM PORQUE NEM SEMPRE A COMUNIDADE DESCOBRE OU, QUANDO TEM ACESSO, TOMA PROVIDÊNCIAS...NEM EXISTE UM CÓDIGO DE CONDUTA NAS UNIVERSIDADES. JÁ A SEGUNDA É MAIS ABSOLUTA...E EU ACREDITO.

    ATTE
    MARIANGELA AMENDOLA

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  2. "Por falta de emprego, um pacifista com um doutorado em física pode se ver forçado a trabalhar na indústria armamentista.", me parece um tanto oportunista...

    Nem sempre uma fraude na ciência é algo antiético, já que mesmo um cientista pode ver algo por querer muito, ou seja, achar evidências onde elas não existem.

    Apesar de tudo, dentre todas as fés, acho a ciência ainda a menos pior, já que verdades absolutas não existem.

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  3. Olá, Marcelo. Parafraseando Einstein, para provar a existência de Deus não é preciso 36 argumentos, mas uma prova só já bastaria. Abraços.

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  4. Meu caro Marcelo, sou um professor de educação fisica super curioso e sendo assim assisto tudo que sai sobre seu trabalho, acho voce um profissional muito competente mas lamento que nas suas intrevistas exista um vaco, um vazio nas suas afirmaçoes sobre Deus(acredito que exista algo muito pessoal na sua forma de ver ou entender Deus) mas não falo desse Deus criado pelas religioes, falo dessa força suprema que move o universo e o mesmo que cria a beleza das flores...Acredito que voce estuda muito mas estuda apenas o que gosta e assim fica tudo mais facil de se limitar...estude o espiritismo,não tentando ser espirita mas sendo esse otimo cientista que voce é, estude o livro A Genesi de Allan Kardec e descubra muito do que voce precisa aprender e tenho mais indicaçoes apesar de achar que voce nao vai dar credito porque grandes estudiosos como voce acabam acreditando apenas nas suas filosofias e delicadamente despresam um universo de possibilidades de aprender algo novo pelo simples fato de se colocarem em outro patamar diferente dos outro 'mortais'.
    Não veja isso como um comentario amargo e sim como uma indicação clara da existencia dessa força suprema chamada Deus. forte abraço Josivaldo Alves(Jô)

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  5. ...descupa meu contato...joamoura@hotmail.com

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  6. Poliana Oliveira2 de maio de 2010 20:15

    Fico pensando o que são padrões éticos mais elevados, ou mesmo, o que a ética procura. A vida? De onde veio essa noção? Desde a primeira célula, o primeiro ser vivo? Existe uma ética nas moléculas que engendram a vida, ou só nos humanos? De onde vem esse código de ética em nós? Se for simples invenção, não é ético: é apenas conveniência para alguns. Então, de onde vem essa ética que parece uma ligação peptídica liberando em nós uma molécula de lágrima e enfim nos faz livres? Um fenômeno de quem vive? É químico, biológico? Não vem de Deus?
    Poliana Oliveira

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  7. 1) Só uma prova sobre a existência de Deus basta; mas, foram encontradas somente 36????
    2) A escolha do ser humano é o famoso "livre arbítrio" que Deus nos deu, por isso que ele não nos tira de um perigo se nós não clamamos por Sua ajuda... há muitos livros da linha que muitos chamam 'ocultismo' que trata desta questão da escolha e seus efeitos morais e suas consequências (porque causa sempre haverá e muitas)e um livro gostoso de se ler (pra quem gosta é claro) sobre escolha inclusive até no nome do livro é de autoria de Og Mandino. O ser humano teria que ter o discernimento do que acarretará no final da linha após a sua escolha, seria fantástico isto. E mentira, é uma ação que nunca deveria ser experimentada e sua ação deveria ser corrigida desde nossa primeira infância. Ah! que arte dificil de educar nos dias de hoje onde a mentira e corupção impera a todo vapor... Mas a questão da mentira em descobertas científicas é realmente muito grave, qtas. vezes o governo ou até a própria igreja usa argumentos ludibriantes diante de descobertas científicas por ser conveniente ou cômodo... Mas há tb um caso de não se saber ao certo sobre uma pesquisa se é mentira ou o desconhecimento da coisa, p.ex.: hoje tal coisa nos faz bem, amanhã aquela mesma coisa é prejudicial...
    Boa matéria deste domingo. Abraços.

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  8. Marcelo tudo bem?
    Estamos tentando entrar em contato com você,
    se puder dê um pulo no site http://curtamudancas.blogspot.com/
    ou entre em contato com laertekessimos@gmail.com.
    Fizemos um curta e um de seus livros esta bastante presente no curta. Gostariamos de entrar em contato contigo.
    abraço
    Laerte Késsimos

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  9. Valdikson Jr. Pereira3 de maio de 2010 10:19

    NÃO PRECISAMOS IR LONGE, PARA PROVAR A EXISTÊNCIA DE DEUS, VEJA UMA CRIANÇA NASCER OU UMA SIMPLES FLOR QUE SE ABRE PELA MANHÃ. COMTEMPLE ESTAS COISAS E NELAS ENCONTRARÁ DEUS.

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  10. Assisti uma entrevista sua, mto interessante, meus parabéns, aliás, vc tem sido homenageado pelos seus feitos . Mas como a natureza e o homem não são perfeitos, vc se contradiz em alguns aspectos quando quer separar a ciência da religião.Na verdade não podemos chamar religião, até porque religião é o ato de religar alguém à Deus, so mesmo à Ele essa palavra cabe ser usada.
    Então vc se contradiz quando quer separar a ciência de Deus, quando afirma que a ciência não explica "os porques" e sim o como...então assume que esse porque pertence a ALGUÉM maior, presumo.
    Sobre o Livro da romancista, vc diz que o livro fala também sobre escolhas, mas vc mesmo chega a conclusão que as escolhas de nada servem se a pessoa for surpreendida por algum acidente de percurso( doenças e coisas do tipo).Daí mesmo é que vcs cientistas deveriam chegar a conclusão que existe um chefão maior, que diz se vai ser ou não como vc escolheu.Eu me preocupei quando vc disse que precisa separar Deus da criação ou da Natureza, não lembro ao certo o que vc disse, mas, cuidado, d"Ele não se zomba, é mto importante dar a ELE a glória que lhe é devida de nos colocar nesse planeta tão especial , no redor de um ambiente tão hostil.

    Palavra de amigo

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  11. Um trapaceiro famoso falseia a natureza impunemente, dois séculos incólume. POr ser ligado no palácio, confiaram-lhe um relatório que ele apagou a assinatura, e disse que era dele, que tinha composto nas década que se seguiram sua viagem. Ademais, manipulou vários dados, e serviu-se daquele outro manipulador, este da fìsica, que graças a este talento logrou ascender a Casa da Moeda inglesa. Hipóteses non fingo!

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